Brasão da Abadia

Liturgia

Rezar com a Igreja, ao modo cisterciense

Septies in die laudem dixi tibi

Disponibilizamos nesta página subsídios para aqueles que tenham o desejo de celebrar ou conhecer a liturgia monástica.

Procissão de entrada com velas acesas, atrás do círio pascal

O Ofício Divino

A celebração diária da Eucaristia e do Ofício Divino reúne a comunidade várias vezes por dia na igreja do mosteiro, em celebrações sempre abertas a todos.

As Vésperas, cotidianamente, e as Laudes dos domingos e dias festivos são cantadas em latim; nos domingos e solenidades, também as Horas menores e as Completas. A Missa é celebrada todos os dias com canto gregoriano e, às quintas-feiras, toda a liturgia eucarística é celebrada em latim.

Ver o horário monástico

Antifonário cisterciense aberto no cântico do Benedictus

A Santa Missa

O centro do dia monástico

Tudo no mosteiro converge para o altar. A Missa conventual é celebrada todos os dias às 7:00 e, aos domingos e dias de preceito, às 9:00, sempre com canto gregoriano. Às quintas-feiras, toda a liturgia eucarística é em latim.

Sem pressa e sem enfeites: a comunidade, os hóspedes e os fiéis reunidos em torno do mesmo mistério.

A comunidade ao redor do altar na Vigília Pascal
Na Vigília Pascal, o abade põe incenso no turíbulo, rodeado pelos monges
Elevação do cálice e da patena ao fim da Oração Eucarística
O celebrante em oração no altar

Ao longo do ano

Vésperas de domingo diante do Santíssimo exposto
Um monge faz a homilia no ambão, de casula roxa, junto à imagem de Nossa Senhora
Missa na Quaresma: o celebrante ao altar e os monges inclinados

História

Novecentos anos de liturgia cisterciense

Os fundadores de Cister queriam viver a Regra de São Bento sem acréscimos. Na liturgia, isso significou voltar à fonte e cortar o supérfluo.

Missa no antigo rito cisterciense na Abadia de Hauterive
Missa no antigo rito cisterciense, Abadia de Hauterive (Suíça)
1098Menos, para rezar melhorEm Cluny celebravam-se duas ou três Missas conventuais por dia, entre longas procissões. Em Cister, uma só. Menos festas, menos ofícios acrescentados, e os 150 salmos cantados a cada semana, como pede a Regra.
c. 1108Em busca do originalSanto Estêvão Harding mandou copistas a Milão buscar os hinos de Santo Ambrósio, e a Metz o canto gregoriano mais puro. Para corrigir a Vulgata, chegou a consultar rabinos sobre o texto hebraico.
c. 1147São Bernardo e o cantoO canto trazido de Metz decepcionou. São Bernardo reuniu uma equipe e refez o antifonário: melodias sóbrias, sem floreios, a serviço da palavra. Esse canto atravessou cinco séculos.
séc. XIIA mesma liturgia em toda a OrdemA Carta de Caridade pediu os mesmos livros e o mesmo canto em todos os mosteiros. Um monge em viagem podia entrar no coro de outra abadia e rezar como em casa. Pela primeira vez na história da Igreja havia uma liturgia unificada, com livros idênticos em todos os mosteiros.
1656Depois de TrentoO abade Claude Vaussin publica o Breviário e o Missal da Ordem aproximados do rito romano, mas guardando os traços próprios de Cister.
séc. XXHerança e renovaçãoCom o Concílio Vaticano II, a Ordem adota a liturgia romana renovada, próxima em muitos pontos da antiga liturgia cisterciense, procurando conservar o patrimônio que recebeu.
“Que o canto encante o ouvido e mova o coração; que nunca obscureça, mas realce o sentido das palavras.”São Bernardo, Carta 398

A Missa de outrora

O rito cisterciense

A Missa latina da época, despida de tudo o que não fosse essencial.

Uma cruz de madeira

Com o Cristo pintado. No altar, uma só vela, num candelabro de ferro.

Nada de ouro

Cálices de ouro eram proibidos, mas podiam ser de prata dourada.

Sem dalmáticas nem capas

Casulas amplas e longas, mas sem seda nem bordados. O abade que usasse paramentos ricos podia ser condenado a jejuar a pão e água.

Começo breve

Ao pé do altar, o sinal da cruz e uma confissão curta.

Ofertório em silêncio

O pão e o vinho oferecidos num só gesto, em silêncio, sem nenhuma fórmula de oração.

Incenso, só no essencial

Usado apenas no ofertório.

A bênção do abade

Quando ele celebrava, abençoava a comunidade antes da fração.

Comunhão sob as duas espécies

Nos primeiros tempos, todos os monges comungavam também do cálice.

Confiteor

Tunc descendit sub medium gradus infimi ad dicendam Confessionem, quam dicit profunde inclinatus:

Confíteor Deo, et beátæ Maríæ, et ómnibus Sanctis, et vobis, fratres: quia peccávi nimis, cogitatióne, locutióne et ópere, mea culpa. Ideo precor vos, oráte pro me.

Orate, fratres

Postea versus ad conventum, extendens et jungens manus, voce paululum elevata dicit:

Oráte, fratres, pro me peccatóre: ut meum páriter ac vestrum in conspéctu Dómini acceptábile fiat sacrifícium.
R. Dóminus sit in corde tuo et in lábiis tuis, suscipiátque de mánibus tuis sacrifícium istud: et oratiónes tuæ ascéndant in memóriam ante Deum pro nostra, et totíus pópuli salúte. Amen.

Ler o Ordo Missæ completo (PDF)

“Estes hinos ambrosianos são os que nosso bem-aventurado Pai Bento nos convida a cantar na Regra, que decidimos observar neste lugar com o maior empenho.”

Santo Estêvão Harding

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