28 de maio
Três vezes, no mesmo dia, Hardehausen começou de novo.
1140
A fundação
Monges de Kamp chegam à Vestfália.
1927
A restauração
Monges de Marienstatt voltam a Hardehausen.
1951
Itatinga
A comunidade recomeça no Brasil.
I
1140 · Na Vestfália
No dia 28 de maio de 1140, uma colônia de monges vindos de Kamp, o primeiro mosteiro cisterciense da Alemanha, filho de Morimond, chegou com o abade Daniel às terras doadas pelo bispo Bernardo de Paderborn.
O lugar chamava-se Herswitehusen, mais tarde Hardehausen: a “colônia da floresta vermelha”, ou “do cavalo”. Em 1165 foi consagrada a igreja abacial, dedicada a Sancta Maria Virgo Gloriosa, uma basílica românica de 58 por 12 metros.
Hardehausen tornou-se, por sua vez, mãe de outras casas: Marienfeld, perto de Münster (1185), Bredelar (1196) e Scharnebeck, em Verden sobre o Aller (1243). Também o priorado de Wahlhausen, na diocese de Mainz, lhe estava subordinado.
Filiação
40 · 300
monges e irmãos leigos, limite fixado no século XIV
6 · 2
monges e noviços após a Guerra dos Trinta Anos
56
abades até a supressão
Séculos XIV a XIX
Abadia imperial, cujos abades exerciam a baixa jurisdição feudal, Hardehausen chegou a ter de limitar o número de seus membros. Saqueada repetidas vezes, entrou em declínio a partir do século XIV, e a Guerra dos Trinta Anos quase a extinguiu.
O abade Estêvão Overgaer (1675–1713) reconstruiu a casa e deu à igreja feições barrocas. Em 8 de fevereiro de 1803, o mosteiro foi suprimido pela Prússia, com cerca de vinte membros; a igreja abacial seria demolida em 1812.
II
1927–1939 · A restauração e o exílio
Mais de um século depois da supressão, a vida cisterciense voltou a Hardehausen. Em 28 de maio de 1927, monges da Abadia de Marienstatt restabeleceram ali a comunidade, primeiro como priorado.
À frente da nova casa estava D. Afonso Heun, monge de Marienstatt, nascido em 1898. Em 1933 Hardehausen foi elevada a abadia, e D. Afonso foi eleito abade.
Os anos seguintes foram os do nacional-socialismo. Os conflitos do abade com as autoridades levaram à dissolução do mosteiro em 1938. Parte da comunidade foi trabalhar como pastores em Magdeburgo; D. Afonso e outros monges partiram para o Brasil.
Em 1939 D. Afonso chegou a São José do Rio Pardo, e em 1940 assumiu a paróquia de Mairinque. Durante mais de dez anos, os monges de Hardehausen viveram dispersos, a serviço das paróquias, sem perder o desejo de reunir de novo a comunidade.
Cerca de 10.000 quilômetros entre Hardehausen e Itatinga
III
1951 · Itatinga
Foi D. Atanásio Merkle, abade de Itaporanga, quem falou a D. Henrique Golland Trindade, bispo de Botucatu, do desejo de D. Afonso de encontrar uma casa para sua comunidade dispersa. O bispo ofereceu a paróquia de Itatinga.
D. Afonso adquiriu a propriedade com recursos do Sr. Antonio Assumpção, o grande benfeitor da fundação. O Sr. Pedro di Piero doou terras, e a prefeitura, outros dez alqueires.
No dia 28 de maio de 1951 — a mesma data de 1140 e de 1927 — os monges saíram em procissão da praça da matriz, levando uma cruz de madeira até o lugar do novo mosteiro. Em 16 de agosto foi lançada a pedra fundamental, tendo como padrinho o governador Lucas Nogueira Garcez. Durante a construção, a comunidade morou na casa da família Linheira, hoje Casa São Libório.
Em 3 de abril de 1952, os direitos e privilégios canônicos da Abadia de Hardehausen foram transferidos para o novo mosteiro: a antiga abadia da Vestfália continua, desde então, em Itatinga.
Lembramos com gratidão, e em nossas orações, todos os que tornaram possível a fundação: o prefeito André Franzollin, o Sr. José di Piero, o povo de Itatinga e os benfeitores de São Paulo.
“Agora o abade cumpriu seu voto silencioso: os monges têm uma casa nova e bonita.”
Da correspondência de D. Afonso Heun
“Tenho que dizer a ele que fiquei surpreso com o que você fez: uma bela casa, um claustro, pequeno, mas de forma nobre: a igreja é uma caixinha de jóias.”
Abade Vitus
IV
Desde 1955
Em 1955 o prédio do mosteiro foi inaugurado. Dois anos depois, por motivos de saúde, D. Afonso renunciou e voltou à Alemanha, onde morreu em 1984; está sepultado em Marienstatt.
Sucedeu-lhe D. Roberto Fluck, antes prior de Itaporanga. Sob seu abaciado, Itatinga, Itaporanga e Jequitibá, na Bahia, formaram a Congregação Cisterciense Brasileira de Santa Cruz, à qual a abadia pertence até hoje.
A comunidade continua a viver ali a mesma vida de oração, leitura e trabalho que começou na Vestfália há quase nove séculos.
Fotografias dos primeiros anos em Itatinga